De 'astro' a líder do bando: como vive Bubbles, o chimpanzé de Michael Jackson, visto de perto por brasileiro

  • 31/05/2026
(Foto: Reprodução)
Como vive Bubbles, o chimpanzé de Michael Jackson, visto de perto por brasileiro Quase duas décadas depois de deixar os holofotes, o chimpanzé Bubbles, inseparável companheiro de Michael Jackson nos anos 1980, vive sua "aposentadoria" com dias tranquilos e silenciosos em um santuário na Flórida, nos Estados Unidos. Quem testemunhou essa rotina de perto foi o biólogo brasileiro Vinícius Chagas, de Campinas (SP), que trabalhou como voluntário no local. Aos 43 anos, o primata leva uma vida distante dos holofotes: passa o dia entre pinturas, brincadeiras, alimentação com frutas e verduras e interações sociais, longe das lentes que ajudaram a transformá-lo em um dos animais mais famosos do planeta. As câmeras, comuns no passado, hoje são motivo de aversão. A história de Bubbles voltou a despertar curiosidade com o recente lançamento da cinebiografia “Michael”. Embora o animal faça parte de uma das fases mais conhecidas da trajetória do astro pop, sua vida hoje é bem diferente daquela marcada por aparições públicas, sessões de fotos e até viagens internacionais. O biólogo brasileiro Vinícius Chagas, formado pela Unesp de São Vicente (SP), sempre teve interesse pela vida dos primatas e, por isso, se voluntariou para trabalhar no Center for Great Apes, santuário responsável pelos cuidados do animal desde 2005. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp “Eu sempre tive essa paixão por primatas, pela primatologia. Pesquisando na internet, encontrei esse santuário na Flórida, o Center for Great Apes, que cuida de mais de 70 primatas residentes entre chimpanzés e orangotangos”, contou. O trabalho dele incluía preparar a alimentação dos animais, acompanhar os diferentes grupos de chimpanzés e orangotangos e desenvolver atividades de enriquecimento ambiental, práticas usadas para estimular cognitivamente os primatas. “A finalidade do santuário é prover uma aposentadoria digna para esses primatas, em um ambiente tranquilo, sem fatores estressores, em que eles vão poder exercer todas as funções cognitivas deles”, afirmou. Michael Jackson é o artista mais ouvido do Spotify global, quase 17 anos após sua morte ✨ De astro pop a 'aposentado' em santuário Bubbles, chimpanzé pertenceu a Michael Jackson nos anos 1980 Divulgação Segundo o próprio Center for Great Apes, Bubbles nasceu em 1983 em um laboratório biomédico e foi criado por um treinador de animais de Hollywood antes de passar a viver com Michael Jackson , ainda filhote. Na época, passou a morar no rancho Neverland e se tornou presença constante ao lado do cantor: apareceu em videoclipes, filmes, entrevistas e acompanhou Jackson até em uma turnê promocional no Japão, quando tinha apenas 4 anos. Porém, como acontece com todos os chimpanzés, o crescimento trouxe mudanças comportamentais e físicas. Com o aumento da força e da imprevisibilidade natural da espécie, Bubbles deixou de viver em ambientes domésticos e foi transferido novamente para o treinador que cuidava dele. Em 2005, já aposentado da indústria do entretenimento, chegou ao Center for Great Apes junto de outros 15 chimpanzés vindos do show business. Hoje, segundo o santuário, ele vive em um ambiente voltado exclusivamente ao bem-estar destes animais resgatados. A instituição afirma que a prioridade é oferecer uma vida estável, tranquila e socialmente rica para chimpanzés e orangotangos que vieram de contextos de exploração. Vinícius comenta que a realidade encontrada ali é distante da ideia de exibição. “Todos eles têm uma história muito triste. Não são animais retirados da natureza recentemente. Vieram de situações de exploração da indústria farmacêutica, da indústria do cinema ou eram mantidos ilegalmente como pets.” Segundo ele, o trabalho diário do santuário tenta, justamente, reparar parte dessas marcas. Bubbles não gosta de fotos, com especial aversão ao flash das câmeras, comuns na época em que era mascote de Michael Center for great Apes/divulgação 📷 Avesso às câmeras Embora tenha passado parte da infância sob exposição constante, Bubbles hoje evita fotografias. Segundo o santuário, ele “parece saber exatamente quando há uma câmera apontada” e costuma virar de costas ou simplesmente se afastar. Vinícius presenciou esse comportamento. “Ele tem uma aversão muito grande a flash e câmera. Ele realmente não gosta.” Ao mesmo tempo, o chimpanzé mantém curiosidade em relação às pessoas. “Ele gosta que as pessoas se aproximem, aponta, faz vocalizações, interage bastante”, lembra. O animal também gosta de provocar reações. “Muitas vezes ele enche a boca de água numa torneira e cospe nos visitantes porque acha engraçada a reação deles.” Segundo o santuário, outra brincadeira frequente é jogar areia em desconhecidos “com uma precisão impressionante”. 🎟️ As visitas ao local, porém, são bastante controladas. O Center for Great Apes não funciona como zoológico aberto ao público. O acesso ocorre apenas por meio de programas educativos e visitas agendadas para apoiadores da instituição. De acordo com o santuário, a decisão busca preservar a privacidade e a rotina dos animais. Infográfico - Famoso ao lado de Michael Jackson, chimpanzé Bubbles hoje vive "aposentadoria" em santuário na Flórida Arte/g1 🐒 O 'líder' do grupo No santuário, Bubbles, com 84 quilos, se tornou uma figura respeitada não apenas pelos visitantes, mas também entre os próprios chimpanzés. “O Bubbles é o macho alfa do grupo em que ele está inserido. Então, se tiver qualquer conflito ali naquele grupo, ele vai estar envolvido. Seja para apaziguar o conflito ou para enfrentar quem está causando esse conflito”, explicou o biólogo. O bando liderado por ele inclui outros chimpanzés chamados Oopsie, Boma, Kodua e Stryker. Segundo Vinícius, observar as relações sociais dos grandes primatas foi uma das experiências mais impressionantes do estágio. “Chimpanzés têm uma hierarquia social muito bem definida. Existe quase um sistema político entre eles. Às vezes, dois machos submissos podem se unir contra o macho alfa”. “É muito interessante ver seres geneticamente tão próximos da gente se organizando de uma forma tão elaborada [...] eles expressam tristeza, felicidade, alegria. São muito inteligentes e muito suscetíveis emocionalmente.” O comportamento varia bastante de indivíduo para indivíduo. “Cada um tem um temperamento, brincadeiras preferidas. Quando estão irritados ou de saco cheio, fazem vocalizações muito altas, batem objetos nas grades, querem ser vistos.” Bubbles flagrado comendo coco em dezembro de 2025 Center for great Apes/divulgação 🍌 Dieta personalizada, 🎵 música e 🎨 pintura Durante os três meses no santuário, Vinícius trabalhou diretamente na preparação da alimentação dos animais e nas atividades de enriquecimento ambiental, estímulos criados para manter os chimpanzés mental e fisicamente ativos. “A minha atuação englobava o preparo da dieta desses primatas e eu fazia também enriquecimento.” Ele diz que cada chimpanzé possui uma ficha detalhada com preferências alimentares específicas. “Quando o funcionário da cozinha vai preparar a dieta do Bubbles, está lá tudo o que ele gosta e desgosta. Os alimentos são pesados dependendo do sexo, idade, tamanho e necessidades de cada animal.” A dieta inclui ração própria para primatas, além de legumes, verduras e vegetais frescos. Já o enriquecimento ambiental envolve uma variedade de estímulos sensoriais e cognitivos. “Você fornece estímulos sonoros, visuais, físicos. Eles gostam muito de música, televisão, revistas, brinquedos. Gostam de pintar também. É como cuidar de crianças de 5 anos.” A pintura, inclusive, se tornou uma das marcas registradas de Bubbles no santuário. Segundo a instituição, ele costuma passar longos períodos criando telas coloridas e só entrega a obra quando considera que está finalizada. “O estilo dele às vezes ultrapassa até as bordas da tela”, descreve o Center for Great Apes. 'A experiência mais edificadora da minha vida' Biólogo brasileiro Vinícius Chagas, de Campinas (SP), ao lado de Owen Teague no Center for Great Apes Arquivo Pessoal Hoje, Vinícius trabalha como biólogo no Parque Ibirapuera, em São Paulo, onde atua na gestão da fauna, recursos hídricos e resíduos do parque. O contato diário com primatas ficou no passado, mas a experiência na Flórida continua marcante. “Foi a experiência mais edificadora da minha vida.” Ele afirma que, apesar de já falar inglês, nunca tinha vivido uma imersão internacional como aquela, em 2023. “Eu fui completamente imerso naquela rotina. O santuário ficava no meio do pântano, eu não tinha carro. Foram três meses vivendo aquilo intensamente.” Ao g1, Patti Ragan, fundadora do Center for Great Apes, afirmou que o jovem era um estagiário maravilhoso e que é bem-vindo de volta. Os voluntários ficavam alojados em pequenas cabanas dentro da propriedade. E foi justamente em uma dessas cabanas que Vinícius acabou vivendo outro encontro ilustre: conheceu Owen Teague, ator protagonista do filme mais recente da franquia “Planeta dos Macacos”. “No final do meu estágio chegou um cara na cabana da frente. A fundadora do santuário falou que eu podia saber quem ele era, e era o ator principal do último ‘Planeta dos Macacos’.” Segundo o brasileiro, Teague frequentava o local para estudar os movimentos e o comportamento dos chimpanzés antes das filmagens. “Ele observava como eles se relacionavam, como andavam, como se movimentavam, para construir a atuação.” VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/05/31/de-astro-a-lider-do-bando-como-vive-bubbles-o-chimpanze-de-michael-jackson-visto-de-perto-por-brasileiro.ghtml


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