Drone térmico ajuda cientistas a localizar uma das aves mais raras da Mata Atlântica

  • 30/06/2026
(Foto: Reprodução)
Crejoá (Cotinga maculata) ninawenoli / iNaturalist Encontrar uma ave que vive escondida no alto das árvores, se desloca discretamente entre as copas e quase não emite vocalizações sempre foi um dos maiores desafios para quem estuda a fauna da Mata Atlântica. Agora, pesquisadores brasileiros testaram uma tecnologia que pode mudar esse cenário. Uma expedição realizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, no sul da Bahia, utilizou um drone equipado com câmera térmica para localizar o crejoá (Cotinga maculata), uma das aves mais raras e ameaçadas do país. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: NAS ALTURAS: Ave que passa dias sem pousar é registrada em caverna atrás de cachoeira em MG VÍDEO: Pica-paus-verdes-barrados são flagrados brigando em disputa por fêmea PREDAÇÃO: Vídeo mostra cena rara de cutia comendo rolinha-roxa em Cuiabá O equipamento detecta pequenas diferenças de temperatura entre os animais e a vegetação, permitindo identificar indivíduos praticamente invisíveis em meio ao dossel da floresta. Ao longo de cinco dias de trabalho, foram realizados 19 voos experimentais sobre a mata. Além de registrar diferentes espécies, a equipe conseguiu localizar e filmar um indivíduo de crejoá — resultado considerado bastante promissor pelos pesquisadores para o desenvolvimento de uma nova metodologia de monitoramento. A expedição foi coordenada pela SAVE Brasil em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e contou ainda com apoio da RPPN Estação Veracel. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Espécie que desafia os pesquisadores Drone térmico ajuda cientistas a localizar uma das aves mais raras da Mata Atlântica gaudettelaura / iNaturalist O crejoá ocorre exclusivamente na Mata Atlântica e está classificado como Criticamente em Perigo de Extinção em nível global. A espécie sofreu um forte declínio nas últimas décadas, principalmente em razão da perda e fragmentação do habitat. Além das ameaças ambientais, existe outra dificuldade: localizar a ave. Ao contrário de muitas espécies florestais, o crejoá passa a maior parte do tempo nas copas mais altas das árvores, movimenta-se silenciosamente e não possui cantos intensos que facilitem sua identificação durante levantamentos em campo. Essas características tornam os métodos tradicionais de monitoramento muito mais complexos. Segundo estimativas utilizadas nas avaliações das listas vermelhas nacional e internacional, a população da espécie pode estar entre 50 e 249 indivíduos maduros. A SAVE Brasil ressalta, porém, que esse número representa uma estimativa baseada nas avaliações de risco e não resulta de uma contagem populacional direta — justamente uma das lacunas que a nova metodologia poderá ajudar a preencher. Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 O que o drone conseguiu mostrar O drone utilizado na pesquisa combina imagens térmicas e fotografias em alta resolução. Durante os testes, além do crejoá, os pesquisadores registraram outras espécies que vivem no alto da floresta, como o anambé-de-asa-branca e um chauá. Outro resultado chamou atenção da equipe: as aves monitoradas praticamente não demonstraram sinais de incômodo com a aproximação do equipamento durante os registros. Crejoá fêmea ninawenoli / iNaturalist A tecnologia também permitiu identificar árvores em fase de frutificação, informação importante porque ajuda a indicar locais onde espécies frugívoras, como o crejoá, podem estar se alimentando. Embora os resultados sejam considerados animadores, os pesquisadores destacam que a técnica ainda depende de novos estudos para validação científica e exige operadores especializados para sua aplicação. "Esse método, junto com métodos mais tradicionais de observação, mostra potencial para ajudar a gente a entender melhor a situação do crejoá, uma das aves mais lindas e ameaçadas do Brasil, e o símbolo do Plano de Ação Nacional das Aves da Mata Atlântica", afirmou Ben Phalan, coordenador de Ciência da SAVE Brasil. Próximos passos Após os resultados obtidos na Bahia, a intenção da equipe é ampliar os testes. Em resposta ao Terra da Gente, a SAVE Brasil informou que o próximo passo será aplicar a metodologia em outras áreas da Mata Atlântica, sempre em conjunto com técnicas tradicionais de monitoramento. A expectativa é produzir informações mais precisas sobre a distribuição e o tamanho das populações do crejoá, contribuindo para orientar futuras estratégias de conservação. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/06/30/drone-termico-ajuda-cientistas-a-localizar-uma-das-aves-mais-raras-da-mata-atlantica.ghtml


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