Empresário queria matar promotor para 'recuperar prestígio' no crime após ser alvo de operação do Gaeco, diz MP
29/08/2025
(Foto: Reprodução) Maurício Silveira Zambaldi, o "Dragão", foi preso na manhã desta sexta-feira (29), suspeito de financiar um plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Ministério Público de Campinas (SP).
Arquivo pessoal
Investigações do Ministério Público de Campinas (SP) apontam que o empresário Maurício Silveira Zambaldi, preso em uma operação na manhã desta sexta-feira (29), queria matar o promotor Amauri Silveira Filho para recuperar o "prestígio" no meio criminoso.
O empresário é apontado como responsável por utilizar sua loja de motos em Campinas, a Dragão Motors, para fazer a lavagem de dinheiro para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele teria sofrido prejuízos financeiros e desmoralização após uma operação do MP em seus imóveis, em fevereiro de 2025. Confira abaixo.
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José Ricardo Ramos, que atua no setor de veículos e transporte, também foi preso nesta sexta na cidade por envolvimento no plano. Ele teria providenciado a aquisição de veículos e armamento, além da contratação de operadores para criar uma emboscada ao promotor.
O promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de Campinas, conduziu investigações sobre esquemas de corrupção em contratos públicos e policiais civis envolvidos com tráfico de drogas.
O mesmo plano tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados.
Dois empresários foram presos, na manhã desta sexta (29), suspeitos de financiar um plano
O que apontam as investigações?
De acordo com o MP, três homens são suspeitos de planejar o assassinato do promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco:
o empresário Maurício Silveira Zambaldi, associado ao PCC e dono da Dragão Motors - leia mais aqui
José Ricardo Ramos, associado ao PCC e dono da JR Ramos Transportes
Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Serginho Mijão”, um dos chefes do PCC - leia mais aqui
Maurício teria sofrido prejuízos financeiros e desmoralização no meio criminoso após uma operação de busca e apreensão em seus imóveis, feita pelo Ministério Público no dia 18 de fevereiro de 2025.
Na época, o empresário quebrou seu aparelho celular e o arremessou pela janela, para impedir acesso às informações nele contidas.
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Depois da operação, com apoio de “Mijão”, Maurício teria decidido matar o promotor do MP como forma de recuperar prestígio. Para isso, o grupo teria designado José Ricardo para organizar o atentado.
José Ricardo tem passagem na polícia por homicídio qualificado, receptação e roubo majorado, sendo que cumpriu pena pelos dois últimos crimes até 2010.
As investigações apontam que ele recebeu um carro blindado, uma Hilux SW4, que seria adaptado para o crime, com troca de placas e instalação de uma metralhadora.
Ele teria contratado operadores, inclusive de outros estados, e recebido como pagamento um Porsche, repassado por Maurício e Sérgio.
José Ricardo é suspeito de atuar na lavagem de dinheiro do grupo, usando sua empresa de transportes e sua identidade para ocultar bens.
Ele também teria seguido o promotor com ajuda de Thiago Salvador, dono do lava-rápido Eco Wash no Shopping D. Pedro, que forneceu informações sobre a rotina da vítima.
Infográfico - Empresários são presos por plano de matar promotor em Campinas (SP)
Arte/g1
Prisões e buscas em Campinas
Nesta sexta-feira, além das prisões dos dois empresários, também foi feita a apreensão do namorado da filha de Maurício para apurar tentativa de obstrução da justiça. O celular dele foi encontrado, quebrado, sobre o telhado de um imóvel vizinho ao de Maurício durante a operação.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na loja de motos Dragão Motors, na Vila Joaquim Inácio, e no lava-rápido Eco Wash, no Jardim Santa Genebra, os dois endereços em Campinas. O Ministério Público informou que apreendeu celular, computador e documentos nos locais.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole.
'Mijão', chefe do PCC, articulou o plano, diz MP
Um dos principais articuladores do plano é Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", um dos chefes do PCC que está entre os principais operadores do tráfico de drogas no país, segundo o MP.
Ele está foragido há anos e, segundo as investigações, pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria comandando atividades criminosas. As investigações continuam para localizar outros suspeitos.
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