Furto de vírus na Unicamp: PF também investiga marido de pesquisadora e descarta risco à população
25/03/2026
(Foto: Reprodução) Furto de vírus na Unicamp: PF diz que também investiga marido de pesquisadora e descarta risco à população
Arquivo pessoal
A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (25) que o marido da professora Soledad Palameta Miller, Michael Edward Miller, também é investigado por suspeita de envolvimento no furto de amostras de vírus de um laboratório do Instituto de Biologia da Unicamp.
Michael Miller é médico veterinário e faz doutorado em Genética e Biologia Molecular na universidade. A corporação não informou quais são as suspeitas sobre ele. O g1 tenta localizar a defesa dele.
Na segunda-feira, Soledad chegou a ser presa em flagrante pela PF. A Justiça concedeu, no dia seguinte, liberdade à pesquisadora com imposição de medidas cautelares - ela está impedida de entrar no laboratório, por exemplo.
As amostras que estavam desaparecidas foram recuperadas pela PF em três laboratórios da Unicamp: a Faculdade de Engenharia de Alimentos Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA); o Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia); e o Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia) - veja mais detalhes aqui.
Em nota enviada na terça-feira, a defesa da pesquisadora afirma que não há materialidade na acusação e que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria.
PF descarta risco à população
As amostras de vírus foram retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança, o mais alto possível para se estudar agentes como vírus e bactérias em laboratórios no Brasil atualmente. Apesar disso, a PF afirmou que não há risco para a população porque os materiais biológicos foram levados de um laboratório para outro dentro da própria universidade.
A corporação aguarda análise do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar os tipos de vírus furtados. A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso.
Cronologia:
13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp
23 de março: após investigação, PF encontra material em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad atuava
23 de março: os laboratórios ficam interditados para cumprimento de mandados e a pesquisadora é presa
24 de março: Justiça concede liberdade e menciona em decisão que se trata de vírus
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Quem são os pesquisadores investigados?
No currículo Lattes, Michael se apresenta como médico veterinário com experiência na área de Saúde Única e medicina veterinária de animais selvagens e de produção, microbiologia, cultivo celular, genética e biologia molecular, com ênfase em biotecnologias.
É colaborador em projetos de vigilância epidemiológica de vírus zoonóticos em animais silvestres, e atua em prospecção e isolamento de patógenos em ambiente de nível 3 de biossegurança (NB-3) - o mesmo nível do laboratório de onde as amostras foram furtadas.
🔎 Classe de risco 3 é aquela em que o agente infeccioso apresenta alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. São agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 (máximo) de biossegurança está em construção em Campinas, com previsão de ficar pronto em 2027.
Já Soledad, segundo o portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa orientadas a vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água.
➡ A pesquisadora atuou como analista no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer. Realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp.
Em seus perfis profissionais, os dois pesquisadores dizem trabalhar com desenvolvimento de vacinas vetorizadas, protótipos de testes rápidos para diagnóstico de doenças e estabelecimento de modelos alternativos para produção de vacinas veterinárias. Soledad também destaca a atuação em diagnósticos de doenças aviárias.
Os dois são sócios na empresa Agrotrix Biotech Solutions, que tem como atividade principal a pesquisa e o desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais.
Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça
Arte g1
Investigação e prisão de pesquisadora
A investigação começou quando uma pesquisadora autorizada notou, na manhã de 13 de fevereiro de 2026, o desaparecimento de caixas com amostras virais.
No dia 23 de março, a PF cumpriu mandados em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Todos os laboratórios da faculdade ficaram temporariamente interditados durante a ação.
Local original: O material subtraído pertencia ao Laboratório de Virologia Animal e estava armazenado em uma área classificada como NB-3 (alta contenção biológica e rigorosos protocolos de biossegurança).
Tipificação penal: Soledad foi autuada em flagrante por três crimes: artigo 29 da Lei 11.105/2005 (produzir, armazenar ou transportar Organismos Geneticamente Modificados - OGM irregularmente), artigo 132 do Código Penal (perigo para a vida ou saúde de outrem) e artigo 347 do Código Penal (fraude processual).
A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa suspeita de furtar material biológico de um laboratório na Unicamp
Reprodução
Com a expedição do alvará de soltura, a professora responderá ao processo em liberdade, mas precisará cumprir regras determinadas pela Justiça:
A docente fica obrigada a comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal, pagar uma fiança no valor de dois salários-mínimos, e está proibida de deixar a cidade de Campinas por mais de cinco dias e de sair do país sem autorização prévia
Além disso, foi determinado que ela está proibida de acessar os laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação
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Onde os materiais foram encontrados?
A Polícia Federal localizou as amostras espalhadas em três locais diferentes:
Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): foram encontradas diversas caixas com amostras dentro de tubetes em um freezer lacrado.
Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): foram localizados tubetes manipulados e abertos no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora. Próximo ao refrigerador, havia material descartado que provavelmente já havia passado por autoclave.
Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi localizada em uma lixeira.
Instituto de Biologia da Unicamp
Reprodução/EPTV
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