Plano para matar promotor do Gaeco envolvia busca por atirador no Rio e caminhonete blindada com metralhadora, diz MP
29/08/2025
(Foto: Reprodução) Plano para matar promotor em SP teve busca por atirador no Rio e uso de caminhonete blindada
A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelou que o plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas (SP), incluía o uso de uma Hilux SW4 blindada, preparada para receber uma metralhadora calibre .50, e a contratação de um atirador no Rio de Janeiro.
O órgão aponta que o plano teria sido articulado pelo empresário Maurício Silveira Zambaldi, preso em Campinas na manhã desta sexta-feira (29), para recuperar o "prestígio" no meio criminoso depois de ser investigado por associação à organização criminosa Primeiro Comanda da Capital (PCC).
Um dos principais articuladores do plano é Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", um dos chefes do PCC que está entre os principais operadores do tráfico de drogas no país, segundo o MP - leia mais aqui
Maurício é apontado como responsável por utilizar sua loja de motos na cidade, a Dragão Motors, para fazer a lavagem de dinheiro para a facção. Confira abaixo.
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O promotor Amauri Silveira Filho conduziu investigações sobre esquemas de corrupção em contratos públicos e policiais civis envolvidos com tráfico de drogas. O mesmo plano tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados.
Para planejar a morte do promotor, Maurício procurou o empresário José Ricardo Ramos, que também foi preso nesta sexta em Campinas. Ele teria providenciado a aquisição de veículos e armamento, além da contratação de executores para criar uma emboscada ao promotor.
O MP informou que as prisões dos empresários não possuem relação com a megaoperação contra esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis, realizada nesta quinta-feira (28).
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Empresários José Ricardo Ramos e Maurício Silveira Zambaldi
Reprodução Ministério Público / Arquivo pessoal
Hilux blindada e metralhadora
Segundo o MP, José Ricardo teria obtido um carro blindado no estado de Goiás, que seria adaptado para uso no assassinato do promotor de Campinas. O veículo era uma Hilux SW4 na cor branca, e seria feita a troca das placas do banco para que pudesse ter uma metralhadora .50 acoplada.
O empresário também estaria trabalhando na contratação dos executores do crime no Rio de Janeiro. Em contrapartida, José Ricardo teria recebido um Porsche, repassado por Maurício e Sérgio.
Para coletar informações sobre a rotina da vítima, suspeito teria seguido o promotor com a ajuda de Thiago Salvador, dono do lava-rápido Eco Wash no Shopping D. Pedro.
José Ricardo tem passagem na polícia por homicídio qualificado, receptação e roubo majorado, sendo que cumpriu pena pelos dois últimos crimes até 2010. Ele é apontado como suspeito de atuar na lavagem de dinheiro do grupo, usando sua empresa de transportes JR Ramos Transportes e sua identidade para ocultar bens.
Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas
Plano foi articulado para recuperar 'prestígio'
De acordo com o MP, três homens são suspeitos de planejar o assassinato do promotor de Campinas:
o empresário Maurício Silveira Zambaldi, associado ao PCC e dono da Dragão Motors
José Ricardo Ramos, associado ao PCC e dono da JR Ramos Transportes
Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Serginho Mijão”, um dos chefes do PCC
Maurício teria sofrido prejuízos financeiros e desmoralização no meio criminoso após uma operação de busca e apreensão em seus imóveis, feita pelo Ministério Público no dia 18 de fevereiro de 2025.
Na época, o empresário quebrou seu aparelho celular e o arremessou pela janela, para impedir acesso às informações nele contidas.
Depois da operação, com apoio de “Mijão”, Maurício teria decidido matar o promotor do MP como forma de recuperar prestígio. Para isso, o grupo teria designado José Ricardo para organizar o atentado.
Infográfico - Empresários são presos por plano de matar promotor em Campinas (SP)
Arte/g1
Prisões e buscas em Campinas
Nesta sexta-feira, além das prisões dos dois empresários, também foi feita a apreensão do namorado da filha de Maurício para apurar tentativa de obstrução da justiça. O celular dele foi encontrado, quebrado, sobre o telhado de um imóvel vizinho ao de Maurício durante a operação.
Alvo destruiu celular durante buscas em investigação de plano do PCC para matar promotor em Campinas
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na loja de motos Dragão Motors, na Vila Joaquim Inácio, e no lava-rápido Eco Wash, no Jardim Santa Genebra, os dois endereços em Campinas. O Ministério Público informou que apreendeu celular, computador e documentos nos locais.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole.
'Mijão', chefe do PCC, articulou o plano, diz MP
Um dos principais articuladores do plano é Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", um dos chefes do PCC que está entre os principais operadores do tráfico de drogas no país, segundo o MP.
Ele está foragido há anos e, segundo as investigações, pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria comandando atividades criminosas. As investigações continuam para localizar outros suspeitos.
Dois empresários foram presos, na manhã desta sexta-feira (29), suspeitos de financiar um plano da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o promotor Amauri Silveira Filho
Polícia Militar - BAEP
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